Homenagem a um grande amigo e profissional que já partiu! mas SEMPRE presente!

É com imenso prazer que apresento este meu trabalho, sobre um homem do 25 de abril, querido amigo > Carlos Gil – fotógrafo da Revolução!

Texto Intervenção – A câmara na Revolução!
Apresentado por Manuel Andrade, no auditório do IPJ de Faro, a 23 de abril de 2008.
Lembrando Carlos Gil – fotógrafo da Revolução!
Fotógrafos de Abril – Carlos Gil

Tertúlia de Homenagem a Carlos Gil, fotógrafo de Abril

34 anos depois (hoje 40) … desta data histórica, gostaria de vos lembrar alguns dos fotojornalistas profissionais que gravaram para sempre – em película -, a Revolução dos Cravos!
Nesta minha intervenção falarei de um deles – o meu grande companheiro, e saudoso amigo – Carlos Gil -, falecido em Lisboa no dia 3 de Junho de 2001. Não esquecendo porém outros, como o “mestre” Eduardo Gageiro, Alfredo Cunha, Joaquim Lobo, Sebastião Salgado, etc.

 Algumas fotos do Carlos Gil…

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Estão aqui alguns dos melhores “35miles” do Gil – o saudoso companheiro da Revolução… por vezes sem grande qualidade fotográfica, mas isso deve-se a terem sido obtidas de reproduções litográficas em más condições. Peço a vossa compreensão!

Carlos Gil (00)
VER – clicando na foto

Carlos Augusto Gil nasceu a 19 de Maio de 1937, em Mortágua.
Fotojornalista por vocação e paixão, foi fotógrafo das gentes e dos sítios de Lisboa, unindo a sua paixão pela pulsar da cidade à que nutria por Figueira de Castelo Rodrigo, terra de seus pais, onde passou toda a sua meninice e adolescência.
Carlos Gil casou a 4 de Dezembro de 1965 com Maria Judite Faria Cortesão Casimiro Gil, com quem teve 3 filhos, Filipe, Sofia e Daniel. Frequentou a escola primária em Figueira de Castelo Rodrigo e concluiu o ensino secundário em Pinhel.

 

 
Conheci-o em trabalho na extinta União Gráfica, melhor dizendo na revista “Flama”.

 

 
O Gil era aquela “máquina”, sempre bem-disposto e amigo do amigo. Vivia (já na altura), como repórter cidadão do mundo, nunca voltando a cara ao perigo, destacando-se mais tarde num (incomparável) trabalho fotojornalistico nas zonas de conflitos armados e guerras de guerrilha: Angola, Moçambique, Sara Ocidental, Curdistão, Beirute, Iraque, Panamá, El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Uruguai, Argélia e Marrocos, entre outros.
Apanhado, eu, como fui fora de Portugal – por ausência forçada ao regime – quando do 25 de Abril, reencontrámo-nos nos finais de 1974, acompanhando mais de perto o Carlos na sua brilhante carreira de fotojornalista.

 

 
Mas voltando ao seu curriculum – a sua paixão inicial foi o teatro. Entre 1957 e 1960, Carlos Gil colaborou com o Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), e com o Grupo de Teatro Independente Teatro d’Hoje, também de Coimbra, de que foi um dos fundadores.

 

 
Este gosto pela representação foi interrompido temporariamente quando o jovem estudante foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório, com o posto de alferes miliciano. Partiu para Timor, onde ficou entre 1963 e 1965, depois de uma breve estadia militar em Mafra e Lisboa.

 

 
No caminho para Timor, em Singapura, Carlos Gil adquiriu a sua primeira máquina fotográfica. Junto aos antípodas, na colónia mais longínqua do império, criou afectos e interesses pelo diferente, o exótico, pela outra face do mundo.

 

 
Foi em Díli, onde esteve no comando do destacamento de Intendência, que Carlos Gil teve as suas primeiras experiências na área do jornalismo, colaborando com o jornal “A Voz de Timor” e com a Emissora da Radiodifusão de Timor, para a qual produziu, realizou e apresentou, programas culturais e de informação. A sua paixão pelo teatro não estava esquecida e o jovem militar ajudou a fundar o Grupo de Teatro Experimental de Timor, levando à cena espectáculos vicentinos e outros.

 

 
Regressado a Portugal, fixou-se em Lisboa. O ano de 1968 foi o de viragem na sua vida. Frequentava então o 4.º ano da Faculdade de Direito de Lisboa, quando decidiu trocar os estudos das leis e a sua paixão pelo teatro pelo jornalismo.
Ingressou no jornal A Capital, com que colaborou até 1970, primeiro como repórter, iniciando-se mais tarde no fotojornalismo.

 

 
A leitura sempre foi um dos seus interesses. Ao longo da vida sempre comprou muitos jornais e revistas, que coleccionava e gostava de ler enquanto fumava o seu inseparável cachimbo. Entretanto fez parte do Grupo Cénico da Faculdade de Direito de Lisboa, na companhia de Hélder Costa, Carlos Pinto Coelho, António Corvelo e João Mário Mascarenhas, com o qual participou no Festival Mundial de Teatro Universitário de Nancy, França, onde obteve uma menção honrosa.

 

 
O 25 de Abril de 1974 achou-o na revista Flama, da qual, como repórter, fez parte da redacção semanal de actualidade. Aí permaneceu entre 1970 e 1977, saindo para colaborar como assessor de imprensa na Junta de Turismo da Costa do Sol – Estoril. Neste espaço de tempo Carlos Gil foi ensaiando as suas primeiras contribuições na imprensa portuguesa e estrangeira, como fotógrafo e repórter freelancer.

 

 
Carlos Gil foi um dos notáveis fotógrafos do 25 de Abril de 1974.
Através da sua objectiva ajudou a documentar e a escrever parte da história da «Revolução dos Cravos». Quando alguém o acordou e incitou a sair à rua na madrugada da revolução, mal imaginava que iria viver um dia em grande, gastar rolos e rolos de fotos, e largar a monotonia da sua vida profissional de até então, resumida a tirar fotos de cortar fitas.

 

 
Mas melhor do que eu, para “retratar” o Carlos Gil no 25 de Abril de 1974, é sem dúvida o jornalista Adelino Gomes:
«[…] No final da manhã, conquistado o Terreiro do Paço pelos revoltosos, encontrar-se-á em cima de um “palanque apropriado” que o Cap. Salgueiro Maia lhes oferecera, a si e a meia dúzia de outros companheiros privilegiados, para que não perdessem “pitada da operação militar”.
É aí, do meio de uma coluna blindada, em pé num Unimog transformado em “verdadeira tribuna ambulante e ao vivo”, que Carlos Gil testemunha e dá testemunho, em dezenas e dezenas de fotografias, do “primeiro acto de explosão popular do 25 de Abril”. Quando vê correr na sua direcção “de cada canto, primeiro dois, três, vinte, agora cem, mil… uma multidão” de cidadãos que “como formigas” avançavam aos gritos para saudar “soldados e jornalistas».

“Do alto do Unimog”, o fotógrafo lança o olhar e a lente da máquina sobre o formigueiro que engrossava por toda a Praça do Comércio, e recorda imagens idênticas “vistas clandestinamente em filmes de Eisenstein, rodados na Praça Vermelha de Moscovo”. A multidão acompanha a coluna até ao Rossio, sobe com ela até ao Largo do Carmo, incita-a nas longas horas do cerco, aplaude Maia e Spínola, corre à Rua António Maria Cardoso a vaiar a PIDE, ruma, sem sono, até Caxias para receber os presos políticos.

De cada momento a máquina de Carlos Gil fixa a luminosidade, regista a temperatura humana. É, para o fotógrafo e para o cidadão, “o início de uma longa caminhada”. Que cidadão e fotógrafo hão-de fazer juntos, até ao último dia de vida, afinal bem curta como mais uma vez aconteceu a quem os deuses amam».
[…] – (“Carlos Gil um fotógrafo na Revolução” da Editorial Caminho, Abril de 2004)
Do cimo de um veículo do exército, o fotógrafo seguiu o percurso dos militares entre o Terreiro do Paço e o Largo do Carmo, tornando-se assim uma testemunha privilegiada da revolução, tomando o seu partido, contra a ditadura, pela liberdade e a felicidade.

 

 
Uma das suas mais famosas fotos do 25 de Abril de 1974: Salgueiro Maia exige rendição de Marcelo

 

 
Do que se passou naquele dia serve de testemunho o citado livro, coordenado por seu filho Daniel Gil, com textos de Adelino Gomes. O livro inclui algumas das inúmeras imagens captadas pelo fotógrafo naquele dia, muitas das quais ficaram gravadas na nossa memória colectiva e na nossa consciência enquanto sociedade, e que são hoje aqui projectadas.

 

 
Posfácio escrito a 25 de Abril de 2004, por Daniel Gil: «…Escrevo estas linhas com emoção, a três primaveras de ter perdido um pai, um mestre e uma instituição. Tive a sorte de o acompanhar Portugal fora, nalgumas das suas caminhadas, até outros mundos latinos. Naturalmente fiquei responsável pelo seu património. Não havia lugar para sótãos e baús!

 

 
De película às costas, largo a capital e vou para Riba Côa, na utopia da Beira Alta, na tentativa de salvar registos de quatro décadas para apreensões e memórias futuras. O nim dos poderes continua a imperar, e são agora alguns dos seus genes que traduzem a única forma de preservar um espólio, quando ainda se esperava um interesse de entidades locais ou nacionais.

 

 
A caminho da imortalidade ficam os registos pela mão da Editora, do Adelino Gomes que logo abraçou este projecto enriquecendo-o como ninguém, dos amigos, fruto de percursos, que se cruzam em homenagens.

 

 
«Uma referência de Abril.»
Sobre os repórteres fotográficos de Abril escreveu Fernando Assis Pacheco no seu volume de recolha das fotos da revolução, “Portugal Livre”, de 1974: «O mais belo flagrante delito da nossa vida fica registado nestas páginas, e não creio que o futuro venha a olhá-las distraidamente. (…) Para isso foi preciso que um grupo de repórteres fotográficos se transmudasse, na rua, em “rua”, e não cedesse à exaustão para manter desperta a ciência do flagrante. (…) Só que não abundam os bons repórteres fotográficos, por não abundarem os homens em disponibilidade contínua que eles têm que ser.»

 

 
Em 1984, no 10º aniversário do 25 de Abril, Carlos Gil participou num documentário sobre Portugal, produzido pela RTB – Rádio Televisão Belga, para o qual elaborou o guião e entrevistas.

 

 
Consciente do seu valor e profissionalismo, abraçou então em definitivo a carreira de freelancer (Foi a experiência profissional de Carlos Gil como jornalista freelancer que conduziu a que os estatutos do Sindicato dos Jornalistas, do qual era sócio, viessem a reconhecer pela primeira vez essa categoria profissional), apenas interrompida entre 1980 e 1982, quando foi colaborador permanente do jornal diário Portugal Hoje, coordenando o suplemento semanal «Cooperação».

 

 
Carlos Gil fez publicar trabalhos seus em várias publicações internacionais, El País, Pueblo, Cambio 16, Manchete, O Cruzeiro e Der Spiegel, e nacionais, os jornais Diário de Lisboa, O Jornal, Expresso, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Sete, Tal & Qual, O Liberal, Jornal de Letras, e as revistas Mais, da qual foi editor fotográfico entre 1983 e 1985, Sábado, Quatro Estações, Homem, Elan, Guia, e Tempo-Livre, da qual foi editor fotográfico entre 1990 e 2001, ano da sua morte.

 

 
Cidadão do mundo, Carlos Gil, que falava francês e castelhano fluentemente, privilegiou nas suas reportagens zonas de conflito armado e guerras de guerrilha. É assim que dele recebemos fotos e notícias um pouco de todo o mundo, mas principalmente dos locais onde a guerra e a injustiça escreveram páginas negras da História, caso de Angola, Moçambique, Sara Ocidental, Curdistão, Beirute, Iraque, Panamá, El Salvador, Cuba, Costa Rica, Guatemala, Nicarágua, Líbia, Jordânia, Albânia, China, Argentina, México, Uruguai, Argélia e Marrocos, entre outros.

 

 
Testemunho destas suas andanças por focos de conflito armado e da sua paixão pela América Latina, foi o seu livro de 1983, “El Salvador, pelo Caminho dos Guerrilheiros”. Carlos Gil escreveu e retratou num livro de guerra, com o seu olhar humanizado, pessoal, a sua vida junto dos guerrilheiros da Frente Farabundo Marti (A Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional foi um movimento de guerrilha criado em 1980 para combater o governo salvadorenho de então. Desmobilizada em 1992, a FMLN é hoje um dos dois principais partidos políticos do país), de El Salvador. José Cardoso Pires iniciou o seu prefácio à obra com a frase «Há neste caderno de repórter a palavra e o olhar dum povo».
Sobre a sua experiência escreveu o fotojornalista: «Em El Salvador, cada homem de informação é um alvo a ter em conta. Os jornalistas defendem-se e vestem camisolas com frases estampadas: “Periodista, no tires!”. Eu penso, que ingenuidade!…» ou ainda, relatando as dificuldades da vida com os guerrilheiros: «Uma boa parte das deslocações pelo território da Frente Central era feita de noite, a pé, por caminhos adversos que não imaginava ser possível atingir o seu termo. (…) Durante vários quilómetros, segui como um cego agarrado à mochila do guerrilheiro que me precedia. (…)» («A eles, aos repórteres fotográficos, se devem algumas das imagens mais totais dos acontecimentos contemporâneos. Aqueles que permanecem para além dos textos e dos títulos. Os que ficam impressos na memória de uma bela foto e que ultrapassam os limites do espaço e do tempo. Na nossa memória». In «O Fotojornalismo Hoje».)

 

 
Lisboeta por adopção, Carlos Gil nunca esqueceu as origens. Sempre que a sua exigente profissão o permitia, o fotógrafo passava uns dias a descontrair e a retemperar as forças em Figueira de Castelo Rodrigo, terras de Riba Côa, região acerca da qual acalentou ao longo da vida o projecto da edição de um roteiro fotográfico, o que não viria a concretizar. No entanto, já em 1990, o fotógrafo colaborara com João Rodrigues na edição do roteiro “Por Caminhos de Santiago”, fruto da paixão pela descoberta dos caminhos perdidos de Portugal, neste caso os antigos caminhos de uma antiga peregrinação, muitos deles redescobertos na obra dos autores.

 

 
Na sua obra fotográfica “Excluídos”, de 1999, de que falarei mais adiante, em detalhe, emergiu novamente a sempre presente consciência social e forte sentido de cidadania do fotógrafo, capturando com a sua objectiva imagens singulares dos desfavorecidos de Lisboa. A crítica e a solidariedade avançam neste volume, a par e par, gerando responsabilidades, legando um olhar doloroso, questionando sempre…

 

 
Profissional com uma vasta experiência, que nutria um grande interesse pela cultura e os povos árabes, Carlos Gil foi uma personagem actuante no Médio Oriente ao longo da década de 90 do século passado. Nas vésperas do início da Guerra do Golfo (Primeira Guerra do Golfo (2/8/1990 – 28/2/1991)), as suas crónicas feitas a partir de Bagdad, Iraque, em Janeiro de 1991, enriqueceram os serviços noticiosos da RTP. Ao longo da guerra colaborou com televisões e jornais, emitindo crónicas radiofónicas a partir de Bagdade e Amã. No primeiro aniversário da guerra as suas reportagens foram incluídas num programa especial de uma hora, no qual participou. Fez trabalho de consultor para temas do Médio Oriente, ligado à RTP, e em 1995 fez a cobertura das eleições no Iraque, para a RTP, TSF e SIC, sobre as quais apresentou dois documentários na televisão portuguesa, produzidos para a SIC.

 

 
Carlos Gil fez questão de partilhar a sua vasta experiência profissional, ao colaborar com o Centro Protocolar de Formação de Jornalistas, CENJOR, na formação profissional de jornalistas e candidatos a jornalistas, nas áreas de Fotojornalismo e Reportagem, orientando em paralelo cursos de iniciação ao jornalismo em organizações não governamentais para a juventude. Consciente das dificuldades da profissão que abraçara, quando os alunos lhe perguntavam qual a máquina ou lente ideal para se fazer uma boa fotografia, respondia, invariavelmente com um sorriso, “que o mais importante era ter umas boas botas”.

 

 
Participou no III Congresso Internacional do Jornalismo da Língua Portuguesa, 1997, organizado pelo Observatório da Imprensa, no âmbito do qual teve a seu cargo a organização do tema «Fotojornalismo e Novas Tecnologias». No mesmo ano, Carlos Gil empenhou-se no projecto «Explor’Art – Jovens criadores na Cidade»,no âmbito do qual 70 jovens de Portugal, Espanha e França, apresentaram trabalhos subordinados ao tema «Descobrir os Descobrimentos», num projecto da Comissão Europeia, desenvolvido em Lisboa pelo Centro Nacional de Cultura.

 

 
Carlos Gil apresentou o seu trabalho em várias exposições fotográficas:
«Volta ao Mundo em 80 Fotos», exposição comemorativa dos 25 anos do Fotojornalismo em Portugal;
«O Caminho dos Guerrilheiros», sobre El Salvador;
«Irakopotâmia», sobre o Iraque;
«Crianças sarauis», sobre a luta do povo do Sara Ocidental;
«Fotógrafos da Agenda», Lisboa, 1993;
«Primavera Fotográfica», Algarve, 1995;
«Olhares», exposição comemorativa dos 30 anos do Fotojornalismo, Biblioteca Museu República e Resistência, 1997;
«Excluídos – Realidades do Fim do Milénio», Cordoaria Nacional, 1999;
«Casal Ventoso (No Vendaval da Mudança)», Colombo, 1999.
Foi autor do texto e fotos das seguintes publicações: Portugal e os seus cavalos, 1980;
El Salvador, O caminho dos guerrilheiros, 1983;
O Comércio de Lisboa, 1989;
Por Caminhos de Santiago, 1990 (1ª edição);
Lisboa em Voo de Balão, 1998;
Excluídos, 1999;
Viver Timor em Portugal, 1999.
Carlos Gil teve a sua obra fotográfica publicada em várias obras de referência: Portugal Livre, de Fernando Assis Pacheco, 1974; Photography Year Book, 1975; À descoberta de Portugal, 1982; Fotografia Portuguesa 1970-80, 1984; O Mundo em Azert, 1984; A Quinta do Recreio do Marquês de Pombal na Vila de Oeiras, 1987; História Contemporânea de Portugal, de João Medina, 1988; O Fotojornalismo Hoje, 1989; Por Terras de Portugal, 1992; Portugal Século XX, de Joaquim Vieira, 1999; Templos de Lisboa, 1.º e 2.º volumes, 2001, e Na Rota das Judeus, guias do Centro Nacional de Cultura; Mercado 24 de Julho, edição da CML; A pobreza Infantil em Portugal, trabalho de Manuela Silva, com o patrocínio da UNICEF; Carlos Gil – Um Fotógrafo na Revolução, de Daniel Gil e Adelino Gomes, 2004. É da sua autoria a foto escolhida para capa da edição portuguesa do livro O Sorriso do Jaguar, de Salman Rushdie.
O fotógrafo foi distinguido com vários prémios, entre os quais o «Prémio Repórter do Ano», do programa televisivo «Festa é Festa» de Júlio Isidro, 1983, o «Prémio Gazeta do Jornalismo», 1984 e 1985, o «Troféu Nova Gente», 1985, e o «Prémio Ibn Al Haythem (Ibn al-Haytham (965 – 1040) foi um matemático árabe que deixou trabalhos nas áreas da óptica, astronomia e matemática)», Bagdad, nos anos de 1996 e 1997.
A Câmara Municipal de Lisboa, na sua reunião de 6 de Junho de 2001, aprovou por unanimidade uma moção de pesar pelo seu falecimento, ficando deliberado que Lisboa prestaria homenagem ao cidadão do mundo, jornalista e fotógrafo Carlos Gil, atribuindo o seu nome a uma artéria da cidade. Esta homenagem concretizou-se através de deliberação camarária de 19/12/2001 e edital de 26/12/2001, na freguesia de Marvila, local onde foram homenageados toponimicamente através do mesmo edital os pintores Eduarda Lapa, Mário Botas, Luís Dourdil, Artur Bual e Severo Portela, os escritores Luís de Sttau Monteiro e Jorge Amado, o arquitecto Alberto José Pessoa e o sociólogo Gilberto Freyre.

 

 
Carlos Gil morreu em Lisboa no dia 3 de Junho de 2001. Tinha 64 anos!
Na freguesia de Marvila, Carlos Gil partilha ainda o espaço toponímico com os jornalistas Ricardo Ornelas e Álvaro de Andrade, o escultor Faustino José Rodrigues, e os pintores Celestino Alves, José Rodrigues e Gabriel Constante, entre muitos outros.

“EXCLUÍDOS”…

Carlos Gil (137)VER – clicando na foto

“Excluídos – Realidades do Fim do Milénio – 1960-2000”
Catálogo editado pelo Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa por ocasião da exposição “Excluídos – Realidades do Fim do Milénio (1960-2000)”, na Cordoaria Nacional, em Março de 1999.

 

 
Na sua obra fotográfica Excluídos, emergiu novamente a sempre presente consciência social e forte sentido de cidadania do fotógrafo, capturando com a sua objectiva imagens singulares dos desfavorecidos de Lisboa. A crítica e a solidariedade avançam neste volume, a par e par, gerando responsabilidades, legando um olhar doloroso, questionando sempre.
«A cidade contemporânea apresenta uma grande multiplicidade de vivências…O olhar atento de Carlos Gil confronta-nos com esta realidade de pessoas, de indivíduos, que têm a sua própria história!
Sobre a importante exposição (última) de Carlos Gil, Baptista-Bastos em “as fotos que nos interpelam”, disse:”…Há os integrados e os apocalípticos, os tolerados e os admitidos, há os recuperados e os excluídos – o que há pouco são os amados.
Esta exposição de Carlos Gil ilustra a tese e define um estilo de ver a realidade circundante (…)
Este grande repórter-fotográfico português tem colocado e recolocado tudo em questão, porque ele sabe, desde sempre, que a maior questão do homem é a da liberdade…
(…) e vai-nos relembrando que na base do ser, na natureza do humano, habita a oposição e a luta. Esta comovente admirável série de fotografias sublima essa evidência –e, como catálogo de imagens, enjeita os monólogos justapostos».

 

NOTA: Alguns títulos da sua obra fotográfica “Excluídos”:

 
Solidariedade na miséria (construção de barracas nos anos 60 – 05/06/07/08;
Acabem com a barracas, Viva a Liberdade – 09/10/11/12;
Trabalhadores cabo verdianos – são mão-de-obra barata nos anos 60 – 13/14/15;
A rua e o bairro é a sala de aula – 16/17/18/19/20;
A mendicidade foi proibida por lei em 1947, o seu fim em 1976 com a extinção do Serviço de Repressão à Mendicidade – 21;
Judiaria em Alfama, 1970 – 22;
A força justa das vitimas de uma guerra injusta – 23;
A festa do vinho – 24;
Despejos por ocupações ilegais, anos 70 – 25/26;
Asilo de Marvila, 1976 – 27/28;
Duas cadeiras, um armário vazio, são apenas os únicos objectos que ficaram do incêndio que destruiu a barraca. Pai e filha interrogam-se. – e agora, quem nos vale? – 29;
Café Portugal Rossio anos 70 – 30/31;
Manifestação no Terreiro do Paço, Novembro 1975 – 32/33;
Rua Augusta. Meia noite de 31 de Dezembro de 1998 – 41;
Convívio de Natal 1998 – 44 a 49;
Casal Ventoso, Janeiro/Fevereiro 1999 – 51;
A toxicodependência a céu aberto – 52/53.

 

Ao terminar esta breve intervenção, não quero deixar de agradecer reconhecidamente a:
(à minha querida amiga de longa data), Esmeralda, da extinta Editorial Caminho;
Dr. Miguel Neves do Museu Nacional de Imprensa, e outros amigos, que me apoiaram nesta pesquisa jornalística.
…Sem eles não seria possível realizar este modesto trabalho – Homenagem a um fotógrafo de Abril, o saudoso amigo CARLOS GIL!

Bem hajam e Viva  o 25 de Abril! 

Sempre!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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